Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

Meu Senhor do Bonfim

A fitinha estava há sete meses amarrada no meu braço. Três pedidos, um em cada nó. Hoje, depois da corrida, quando fui tirar o relógio, ela arrebentou. Oba! Oba? Eu não lembrava mais dos três pedidos e já tinha me apegado àquela fitinha cor-de-rosa no meu pulso. 
Tenho, portanto, algumas coisas para fazer em relação à perda da fitinha. Primeiro, vou ter que ir à Bahia para pegar outra (não, ninguém precisa trazer para mim, pode deixar que EU VOU À BAHIA). Depois, tenho que lembrar dos três pedidos. Ou será que é melhor lembrar antes e conseguir outra depois, para não correr o risco de pedir coisa duplicada? 
Talvez seja melhor inverter mesmo a ordem e cuidar da memória. Mas, quem sabe, o Senhor do Bonfim nem está ligando se eu lembro ou não, e já está providenciando o cumprimento do nosso trato feito há sete meses, quando amarrei a fitinha cor-de-rosa no meu pulso.
Por via das dúvidas, eu queria lembrar. Fazer pedido em dobro deve encher a paciência do santo. Ele certamente tem coisa mais importante a fazer do que providenciar que os números sorteados da megasena estejam em concordância com os que eu apostei, por exemplo. Saúde para a família a gente pede na hora de dormir, logo para Deus, procura se alimentar bem e praticar exercícios físicos, e segue em frente. Uma casa no campo eu já tenho - moro na roça e o meu Senhor do Bonfim já deve saber disso. O corpo da Sofia Vergara depende única e exclusivamente de mim (e talvez de um cirurgião plástico): eu não ia pagar o vexame de pedir para o santo.
Posso ficar a tarde inteira aqui tentando adivinhar o que o pobre do Senhor do Bonfim tem que me dar agora que a fitinha se foi. Melhor aproveitar as milhas, visitar a família na Bahia e garantir outra. E, de preferência, deixar registrado em algum lugar o que foi que pedi. 

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