Em 2011 eu perdi um pedaço e me ralei bastante. Vi pessoas que eu amo também despedaçadas irremediavelmente. Foi um ano difícil e triste. Sofri para caramba e chorei, como chorei. Não é porque o ano está nas suas últimas horas que eu vou falar bem dele, não. Não sou este tipo de pessoa. Falo o que tem que falar. Foi um ano triste. Não me consola saber que terei outros anos tão ou mais tristes que este prestes a escorrer pelos nossos dedos.
No entanto, para usar de lugar comum e frase de livro de autoajuda - afinal, trata-se de uma retrospectiva -, se chorei e se me despedacei, vi serenidade e sabedoria em quem estava sofrendo e perdendo mais do que eu. Aprendi também. Aprendi que a vida às vezes é uma merda, mas que Fernando Pessoa sempre sabe das coisas e a primavera acontece todo ano, com choro ou um pedaço a menos.
Em 2011 eu aprendi muito e me enchi novos grandes amigos. Logo eu, que cética da vida, achava que não tinha mais espaço na agenda para gente nova. Como é bom estar errada às vezes.
Também dei gargalhadas, entrei em comunhão com as coisas boas que 2011 me deu - sim, ele me deu coisas boas, tenho que ser justa: não sou este tipo de pessoa que só vê o lado ruim da vida. Dancei com o meu filho em praça pública, na frente de estranhos; olhei nos olhos de pessoas das quais jamais esquecerei; escrevi pouco, mas escrevi; fotografei e viajei muito; tive coragem de enfrentar uma perda mais distante e atravessei o Continente para me reconciliar com a realidade, depois de 14 anos de hesitação; amei muito mais minha família e história dela.
Por tudo o que 2011 me fez passar, eu quero muito de 2012. Não quero ganhar na megasena ou ter o shape da Sofia Vergara (mentira, na verdade eu quero; mas, vocês fingem que acreditam porque isso não combina no texto).
Eu quero que em 2012 tenhamos muita saúde, sabedoria para lidar com as perdas e serenidade para aceitar que nem todo mundo vai atender às nossas expectativas; que saibamos amar de verdade as pessoas e o que fazemos; que possamos sonhar novos sonhos e que tenhamos coragem de correr atrás deles. E um desejo bem pessoal, porque de uns tempos para cá eu virei bem mais família: que seja possível reunir Costas, Ferreiras, Cunegundes e Guimarães em dezembro de 2012, só para o meu pai fazer de novo a peça do Ano Velho entregando a faixa para o Ano Novo, como ele fazia quando éramos crianças.
1 comentários:
Feliz ano do fim do mundo!!!
(eu já tenho uns 5 fim do mundo no meu currículo... vamos somar mais um!!!)
Sorte e saúde pra todos!
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