Todo mundo já percebeu - há muito tempo -, que o culto ao "corpo perfeito" virou, mais que um atentado ao bom senso, uma ótima fonte de receita para editoras, clínicas de estética, fabricantes de produtos milagreiros, marcas de roupa, clínicas de bronzeamento etc.
Eu nem me importava mais com isso. Mas, numa consulta à dermatologista reparei que todas as revistas na sala de espera eram sobre dieta, corpo esculpido e todas as bobagens com photoshop e pessoas que vivem de luz a que estamos expostos diariamente. Pensei com meus botões: esse tipo de publicação deveria estar num salão de beleza, numa clínica de estética, mas não num consultório médico. Cadê a responsabilidade dessas pessoas?
Com a proximidade do fim do ano, do verão, as coisas pioram. Começa a lavagem cerebral da tal Operação Verão: todo mundo gostoso, sarado. Um comercial de tevê (ainda bem que nem prestei atenção ao produto), avisa: para curtir o verão, tem que estar com a barriga sequinha e bronzeada.
A mensagem é clara: gordos e branquelos não têm o direito de curtir o verão. Aliás, não têm o direito de curtir nada. A não ser que gastem fortunas para se preparar para o período do ano em que os narcisos brotam aos montes neste país tropical. Se não conseguirem ficar como as capas de revista photoshopadas, que se escondam no quarto da vergonha, por serem gordos e brancos.
Até porque, vamos ser realistas, não tem roupa nem biquíni para essa "gente". Vamos tomar remédio, como diz a capa da revista, fazer dieta para perder 12 kg em um mês, comprar creme autobronzeante e fazer clareamento nos dentes, para ser feliz, aproveitar o verão, parar o trânsito, ser popular, curtir a vida adoidado, fazer parte da sociedade.
Ninguém nunca vai reclamar desse exagero? Vamos continuar assistindo a esse massacre de braços cruzados? Jura, meu povo?
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