Sexta-feira, Agosto 26, 2011

Um brinde àquele que se foi

Em dezembro de 2000 eu desembarquei em Brasília para conhecer meus colegas de redação na GZM. Voltei para Fortaleza, para organizar a mudança, apavorada. Não entendi uma palavra do que aquele gaúcho dizia. “Se eu disser que não entendi o que ele falou, apanho.” A primeira impressão se dissipou em pouco tempo.
De bravo, só a voz. O coração molengo cuidava de todos nós como filhos. Era um chefe que defendia a equipe, que se preocupava, que ensinava. Toda vez que tinha uma matéria com IGP-M, ele me fazia acrescentar: “índice criado pela Fundação Getúlio Vargas em mil novecentos e sei lá o que”. Entendia de economia como poucos e tinha política na alma. Uma pessoa cuja mãe se chamava Esperança (ou Bruna, a depender de que lado da fronteira estava), só poderia ser generosa.
Inúmeras vezes o arrastamos do Cavalcanti ou do Esquina Mineira, depois do milésimo licor, com o táxi esperando na porta, para fechar a edição de sexta-feira. Depois, ficava no aquário brigando com o computador e de vez em quando, dava um F5 em alguma página de agência de notícia e saía nos cobrando algum assunto que já estávamos apurando. Ou nos flagrava lendo o horóscopo com matérias atrasadas para mandar para São Paulo e lá vinha esporro.
Um dia confessou a tara por cubanas e freiras. Eu sugeri que ele resolvesse a questão com uma freira cubana. Não sei se conseguiu. Mas descobriu o que era beijo grego, depois de ligar para uma prostituta que anunciava o serviço nos classificados. A prestadora de serviço disse que ele só ficaria sabendo se a contratasse, mas um colega de redação tratou de matar a curiosidade do Rio. Beijo grego! Só Riomar Trindade mesmo.
E nos memoráveis churrascos que organizava, preparava a melhor caipirinha de lima da pérsia do mundo. E olha que eu já provei muitas por aí.
A última vez que nos vimos foi em abril, quando ele fez um frila para a minha agência. Eu me senti muito estranha, contratando o Riomar para um frila. Não fazia muito sentido. Ele me contou da EBC, falamos de filhos, do Sul, do Inter, lembramos dos amigos que não víamos há muito tempo.
Ontem eu chorei por ele. Muito. Chorei pelo que ele representou na minha vida e pelo que muita gente não soube valorizar nele.
Hoje, com amigos queridos, eu gargalhei. Gargalhei pelo que ele representou nas nossas vidas, pela freira cubana, pelo beijo grego, pelo IGP-M da FGV, pela saideira PORRA.

2 comentários:

Anônimo disse...

Sou grato pela atenção que recebi e pela confiança que ganhei ao trabalhar com o Riomar. Parabéns pelo texto. Luís Cláudio Cicci

Anônimo disse...

Amiga, vc e seu texto, como sempre brilhante, soube expressar muita coisa do que eu sinto. Obrigada pela leitura e nosso muito obrigada coletivo ao super Riomar. Beijos meus, Fernanda Loureiro