Costumo ensinar para o Menino que precisamos sempre nos indignar. Sem indignação, o mundo não muda, não há emoção, ficamos frios diante das mazelas e injustiças do mundo. Mas, com toda a sinceridade, vivemos um excesso de indignação sem precedentes.
Um minuto de distração e tem trezentas marchas em andamento. Liberdade, maconha, vadiagem, povo diferenciado, tchiézari batisti, gordo, magro, alto, baixo, feio, bonito demais, corrupto, homofóbico, TFP, gays, lésbica, negro, mulher, criança, bombeiro, ariano, judeu, mulçumano, anti-EUA, anti-Venezuela, anti-TUDO... Todo mundo indignado, marchando, gritando.
Muita coisa acontecendo o tempo todo. Assim eu não aguento. Se for uma deficiência minha, peço desculpas ao indignados em eterna vigilância. Mas, não consigo acompanhar esse ritmo. Na verdade, acho que não quero acompanhar.
Eu quero, de vez em quando, ser politicamente incorreta, não ser vigilante, não levar tudo a sério, dar risada, não me preocupar com o que está acontecendo no mundo, além do que acontece no meu mundo. Pode ser?
O problema é daqui a pouco algumas pessoas virem atrás de mim para organizar a marcha anti-marcha. Aí, ferrou.
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