"Se chorar adiantasse, o porco não morria." Tudo bem, mas naquelas horas em que nada adianta mesmo, a única coisa que resta fazer é chorar. E ontem eu chorei. Alguns podem considerar futilidade, mas eu chorei por causa de um vestido e de uma bermuda.
Chorei para não matar a infeliz que bateu à máquina duas roupas que devem ser lavadas à mão - e ela sabe disso. Não bastasse a heresia inicial, a coisa piorou quando misturou as duas peças - pretas, caras, que uso para trabalhar, em dia que tem reunião importante, compradas em duas lojas que não fazem promoção toda hora - com um vestido vermelho, velho, de ficar em casa, e que solta tinta.
Então, na hora de organizar as coisas para a manhã seguinte, descubro as duas peças passadas, organizadas no guarda-roupa, como se nada tivesse acontecido, e manchadas, muito manchadas, irremediavelmente manchadas. Fazer o quê?
Deixar o vestido e a bermuda abertos no meio do sofá com um bilhete desesperado e chorar. Foi isso que eu fiz.
Mas ainda acho que a cartase virá depois de um assassinato. Inevitável.
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