Quarta-feira, Fevereiro 22, 2012

De sucesso, dúvidas, neuras e caminhos

Hoje eu acordei pensando em sucesso. A gente cria filho para ser bem sucedido, mas nem pensa direito no que isso significa. Ter um emprego público e estabilidade para a vida inteira? Todo mundo critica servidor público, mas passar em um concurso virou o sonho de consumo de muita gente. Em momentos críticos, sempre faço inscrição para algum concurso. Afinal, meus amigos servidores públicos vivem com mais tranquilidade, fazem planos de longo prazo, já colocaram o "burro na sombra". 
As crianças já são doutrinadas desde cedo, pelo menos aqui em Brasília. Termina o Ensino Médio, faz logo um concurso para garantir. Quando terminar a faculdade, já tem carro e apartamento, enquanto a maioria dos colegas vai ralar para conseguir isso. Mas, ter carro e apartamento significa exatamente o quê?
Claro que tem gente que nasceu para ser servidor público. A sociedade precisa deles e vou dizer que meus amigos que escolheram esse caminho são servidores da melhor qualidade - dedicados, competentes e felizes. Mas esse não pode ser o único jeito de ter sucesso. Acontece que a gente entra numa neura tão grande que termina acreditando que não há alternativa.
Massacrar um jovem com essa ideia fixa de "prestar concurso"é legal? Ou é melhor estimular a criatividade, deixar o cara se preocupar em como vai fazer para construir sua vida no tempo certo? Viajar, conhecer novas gentes, novos lugares, novos idiomas, novos jeitos de encarar a vida, novos conceitos de sucesso.
Se hoje eu não sei ainda o que é melhor pra mim, como vou saber o que é melhor para o meu filho? Sei lá, acho que estou confusa.

Domingo, Fevereiro 05, 2012

Um domingo de sol e nada mais

Queria uma crônica de verão, com sol no rosto e vento nos cabelos, corpos dourados, paixões efêmeras e fulminantes.
Mas, fico com o vento nas folhas das goiabeira, os cachorros latindo para a rabiola da pipa a sobrevoar meu quintal, o sol esquentando os ossos dos meus pais, três computadores ligados e uma cerveja gelada esperando a contagem regressiva.
Minha minicrônica de um domingo de sol deve terminar assim, com o cheirinho de banana flambada de sobremesa e um cochilo depois do almoço.
E, assim como Alberto Caeiro, "levarei amanhã a pensar em depois de amanhã, e assim será possível; mas hoje não..., não, hoje nada; hoje não posso".
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Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

Meu Senhor do Bonfim

A fitinha estava há sete meses amarrada no meu braço. Três pedidos, um em cada nó. Hoje, depois da corrida, quando fui tirar o relógio, ela arrebentou. Oba! Oba? Eu não lembrava mais dos três pedidos e já tinha me apegado àquela fitinha cor-de-rosa no meu pulso. 
Tenho, portanto, algumas coisas para fazer em relação à perda da fitinha. Primeiro, vou ter que ir à Bahia para pegar outra (não, ninguém precisa trazer para mim, pode deixar que EU VOU À BAHIA). Depois, tenho que lembrar dos três pedidos. Ou será que é melhor lembrar antes e conseguir outra depois, para não correr o risco de pedir coisa duplicada? 
Talvez seja melhor inverter mesmo a ordem e cuidar da memória. Mas, quem sabe, o Senhor do Bonfim nem está ligando se eu lembro ou não, e já está providenciando o cumprimento do nosso trato feito há sete meses, quando amarrei a fitinha cor-de-rosa no meu pulso.
Por via das dúvidas, eu queria lembrar. Fazer pedido em dobro deve encher a paciência do santo. Ele certamente tem coisa mais importante a fazer do que providenciar que os números sorteados da megasena estejam em concordância com os que eu apostei, por exemplo. Saúde para a família a gente pede na hora de dormir, logo para Deus, procura se alimentar bem e praticar exercícios físicos, e segue em frente. Uma casa no campo eu já tenho - moro na roça e o meu Senhor do Bonfim já deve saber disso. O corpo da Sofia Vergara depende única e exclusivamente de mim (e talvez de um cirurgião plástico): eu não ia pagar o vexame de pedir para o santo.
Posso ficar a tarde inteira aqui tentando adivinhar o que o pobre do Senhor do Bonfim tem que me dar agora que a fitinha se foi. Melhor aproveitar as milhas, visitar a família na Bahia e garantir outra. E, de preferência, deixar registrado em algum lugar o que foi que pedi. 

Quinta-feira, Janeiro 05, 2012

Que falta de modos

Minha mãe sempre disse que a gente tinha que ter modos. Bons modos, bem entendido. Porque de maus modos o mundo está cheio.
E se tem uma coisa que faz as pessoas perderem os modos é o celular. Aparelhinho do capeta, que não desliga nunca e que deve ser verificado a cada 30 segundos, sob o risco de o mundo acabar. Para piorar a situação, eles filmam, fotografam e te dão acesso à internet. É ou não uma tecnologia desenvolvida no subsolo?
Mesmo com os apelos das casas de espetáculos, dos artistas, dos fotógrafos profissionais, não adianta: todo mundo quer fotografar ou ficar contando o show para quem não foi, em tempo real. Na boa, tira uma foto e curte o show, caramba. Espera o intervalo e manda um alô mamãe. Mas, não fica com o flash estourando na cara dos outros e com a luz da tela do seu ixmartifôni enchendo o saco de quem está realmente com vontade de assistir ao espetáculo. Parafraseando uma coleguinha de ofício, que deselegante. E para quem está no palco, uma distração enorme.
Então, somo mais um desejo à minha listinha para 2012. Que as pessoas curtam de verdade um show, uma peça de teatro, um filminho no cinema e deixem de encher o saco das outras com a luz ou o flash do celular.
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No mais, o Paulinho da Viola, que se apresentou ontem no Teatro Nacional, em Brasília, é perfeito e cantou as duas músicas que enchem meu coração de alegria e os meus olhos de lágrimas. Não preciso de mais nenhum show para ser feliz em 2012. Mentira, preciso, o do Chico Buarque.

Segunda-feira, Janeiro 02, 2012

Sob a chuva de dezembro

Untitled by cunegundes
Untitled, a photo by cunegundes on Flickr.

Tarde de muita chuva em Lancaster, Pensilvânia (EUA). A região é linda e conhecida por ser a terra dos Amish e dos menonitas. Conseguimos flagrar alguns Amish fugindo do temporal em seus buggies.

Sábado, Dezembro 31, 2011

Se chorei ou se sorri ou crônica de um ano que acaba

Em 2011 eu perdi um pedaço e me ralei bastante. Vi pessoas que eu amo também despedaçadas irremediavelmente. Foi um ano difícil e triste. Sofri para caramba e chorei, como chorei. Não é porque o ano está nas suas últimas horas que eu vou falar bem dele, não. Não sou este tipo de pessoa. Falo o que tem que falar. Foi um ano triste. Não me consola saber que terei outros anos tão ou mais tristes que este prestes a escorrer pelos nossos dedos. 
No entanto, para usar de lugar comum e frase de livro de autoajuda - afinal, trata-se de uma retrospectiva -, se chorei e se me despedacei, vi serenidade e sabedoria em quem estava sofrendo e perdendo mais do que eu. Aprendi também. Aprendi que a vida às vezes é uma merda, mas que Fernando Pessoa sempre sabe das coisas e a primavera acontece todo ano, com choro ou um pedaço a menos. 
Em 2011 eu aprendi muito e me enchi novos grandes amigos. Logo eu, que cética da vida, achava que não tinha mais espaço na agenda para gente nova. Como é bom estar errada às vezes.
Também dei gargalhadas, entrei em comunhão com as coisas boas que 2011 me deu - sim, ele me deu coisas boas, tenho que ser justa: não sou este tipo de pessoa que só vê o lado ruim da vida. Dancei com o meu filho em praça pública, na frente de estranhos; olhei nos olhos de pessoas das quais jamais esquecerei; escrevi pouco, mas escrevi; fotografei e viajei muito; tive coragem de enfrentar uma perda mais distante e atravessei o Continente para me reconciliar com a realidade, depois de 14 anos de hesitação; amei muito mais minha família e história dela.  
Por tudo o que 2011 me fez passar, eu quero muito de 2012. Não quero ganhar na megasena ou ter o shape da Sofia Vergara (mentira, na verdade eu quero; mas, vocês fingem que acreditam porque isso não combina no texto). 
Eu quero que em 2012 tenhamos muita saúde, sabedoria para lidar com as perdas e serenidade para aceitar que nem todo mundo vai atender às nossas expectativas; que saibamos amar de verdade as pessoas e o que fazemos; que possamos sonhar novos sonhos e que tenhamos coragem de correr atrás deles. E um desejo bem pessoal, porque de uns tempos para cá eu virei bem mais família: que seja possível reunir Costas, Ferreiras, Cunegundes e Guimarães em dezembro de 2012, só para o meu pai fazer de novo a peça do Ano Velho entregando a faixa para o Ano Novo, como ele fazia quando éramos crianças.

Segunda-feira, Dezembro 26, 2011