Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Máquina de escrever não tem @

Vai tomar café com o menino em um sebo. Mãe, o que é sebo? Ah, entendi. Vou procurar alguma coisa interessante enquanto você toma seu café. Aquilo ali é uma máquina de escrever? Posso olhar? Você sabia que não tem @ no teclado? Eu sei que não dava pra mandar e-mail de máquina de escrever, mãe, dããã. É fera o jeito que dá espaço. Pra que serve esse negócio que faz esse cilindro girar? Posso tirar uma foto? Você já fez matéria em uma dessas? Ah, não, peraí, aí já é demais! Não, quando comecei a trabalhar já tinha computador no jornal, mas na faculdade era máquina de escrever. Ah, você então é só um pouco velha.

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Fora verão

Se o verão nem chegou e já estamos vivendo dias - e noites - africanos, imagine janeiro? Melhor as lojas aumentarem os estoques de aparelhos de ar-condicionado.
Quem é que realmente gosta de sentir calor? Pelamordedeus!
Verão? Tô fora.

Domingo, Novembro 15, 2009

20 anos do meu primeiro voto

No blog do Nassif alguém lembrou das eleições de 1989 e sugeriu que lembrássemos o que estávamos fazendo. Eu terminava o ensino médio e me preparava para o vestibular. Tirei o título de eleitor e não tinha muita ideia sobre em quem votaria.
Por sorte, tinha colegas de escola bem engajados, filhos de sindicalistas, principalmente da usina de Angra, e uma tia com pensamentos de esquerda. Mas também tinha aqueles que, como eu, eram filhos de militares, ou de profissionais liberais com posicionamentos de direita.
Lembro que passie madrugada acordada, acompanhando a contagem de votos pelo rádio. Lembro das campanhas com os jingles mais esdrúxulos. Meu candidato, o Covas, não foi para o segundo turno.
Deu no que deu. E como teria sido se o Sapo tivesse ganho a eleição em 89?

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Família ê, família á

Sei lá, depois de alguns anos família fica um negócio esquisito. Não te pertence do mesmo jeito. Só quem não percebe são o pai e a mãe.

..

Explanação do pai para a mãe antes de ligar para algum filho e tentar dar um esporro: "as coisas ditas por você têm um peso, ditas por mim, têm outro". Virou bordão.

O país da tropicália

Do Estadão

Tropicália, sob o signo do escorpião

José Celso Martinez Corrêa

No mesmo dia em que Caetano fazia sua entrevista de capa, muito bela como sempre, no Caderno 2 do Estadão, o Ministro Ecologista Juca Ferreira publicava uma matéria na Folha na seção Debates. Um texto extraordinariamente bem escrito em torno da cultura, como estratégia, iniciada no 1º Governo de Lula ao nomear corajosa e muito sabiamente Gilberto Gil como Ministro da Cultura e hoje consolidada na gestão atual do Ministro Juca. Hoje temos pela primeira vez na nossa história um corpo concreto de potencialização da cultura brazyleira: o Ministério da Cultura, e isso seu atual Ministro soube muito bem fazer, um CQD em seu texto.

Por outro lado, meu adorado Poeta Caetano, como sempre, me surpreendeu na sua interpretação de Lula como analfabeto, de fala cafajeste, abrindo seu voto para Marina Silva.

Nós temos muitas vezes interpretações até gêmeas, mas acho caetanamente bonito nestes tempos de invenção da democracia brazyleira, que surjam perspectivas opostas, mesmo dentro deste movimento que acredito que pulsa mais forte que nunca no mundo todo, a Tropicália.

Percebi isso ao prefaciar a tradução em português crioulo = brazyleiro do melhor livro, na minha perspectiva, claro, escrito sobre a Tropicália: Brutality Garden, Jardim Brutalidade, de Chris Dunn, professor de literatura Brazyleira, na Tulane University de New Orleans.

Acho, diferentemente de Caetano, que temos em Lula o primeiro presidente antropófago brazyleiro, aliás Lula é nascido em Caetés, nas regiões onde foi devorado por índios analfabetos o Bispo Sardinha que, segundo o poeta maior da Tropicália, Oswald de Andrade, é a gênese da história do Brazil. Não é o quadro de Pedro Américo com a 1ª Missa a imagem fundadora de nossa nação, mas a da devoração que ninguém ainda conseguiu pintar.

Lula começou por surpreender a todos quando, passando por cima das pressões da política cultural da esquerda ressentida, prometeica, nomeou o Antropófago Gilberto Gil para Ministro da Cultura e Celso Amorim, que era macaca de Emilinha Borba, para o Ministério das Relações Exteriores, Marina Silva para o Meio Ambiente e tanta gente que tem conquistado vitórias, avanços para o Brasil, pelo exercício de seu poder-phoder humano, mais que humano.

Phoderes que têm de sambar pra driblar a máquina perversa oligárquica, podre, do Estado brasileiro. Um estado oligárquico de fato, dentro de um Estado Republicano ainda não conquistado para a “res pública”. Tudo dentro de um futebol democrático admirável de cintura. Lula não pára de carnavalizar, de antropofagiar, pro País não parar de sambar, usando as próprias oligarquias.

Lula tem phala e sabedoria carnavalesca nas artérias, tem dado entrevistas maravilhosas, onde inverte, carnavaliza totalmente o senso comum do rebanho. Por exemplo, quando convoca os jornalistas da Folha de S. Paulo a desobedecer seus editores e ouvir, transmitindo ao vivo a phala do povo. A interpretação da editoria é a do jornal e não a da liberdade do jornalista. Aí , quando liberta o jornalista da submissão ao dono do jornal, é acusado de ser contra a liberdade de expressão. Brilha Maquiavel, quando aceita aliança com Judas, como Dionísios que casa-se com a própria responsável por seu assassinato como Minotauro, Ariadne. É realmente um transformador do Tabu em Totem e de uma eloquência amor-humor tão bela quanto a do próprio Caetano.

Essa sabedoria filosófica reflete-se na revolução cultural internacional que Lula criou com Celso Amorim e Gil, para a política internacional. O Brasil inaugurou uma política de solidariedade internacional. Não aceita a lógica da vendetta, da ameaça, da retaliação. Propõe o diálogo com todos os diabos, santos, mortais, tendo certa ojeriza pelos filisteus como ele mesmo diz. Adoro ouvir Lula falar, principalmente em direto com o público como num teatro grego. É um de nossos maiores atores. Mais que alfabetizado na batucada da vida, lula é um intérprete dela: a vida, o que é muito mais importante que o letrismo. Quantos eruditos analfabetos não sabem ler os fenômenos da escrita viva do mundo diante de seus olhos?

Eu abro meu voto para a linha que vem de Getúlio, de Brizola, de Lula: Dilma, apesar de achar que está marcando em não enxergar, nisto se parece com Caetano, a importância do Ministério da Cultura no Governo Lula. Nos 5 dedos da mão em que aponta suas metas, precisa saber mais das coisas, e incluir o binômio Cultura & Educação.

Quanto a Marina Silva, quando eu soube que se diz criacionista, portanto contra a descriminalização do aborto e da pesquisa com células-tronco, pobre de mim, chumbado por um enfarte grave, sonhando com um coração novo, deixei de sequer imaginar votar nela. Fiz até uma cena na Estrela Brasyleira a Vagar – Cacilda!! para uma personagem, de uma atriz jovem contemporânea que quer encarnar Cacilda Becker hoje, defendendo este programa tétrico.

Gosto muito de Dilma, como de Caetano, onde vou além do amar, vou pra Adoração, a Santa adorada dos deuses. Acho a afetividade a categoria política mais importante desta era de mudanças. “Amor Ordem e Progresso.” O amor guilhotinado de nossa bandeira virou um lema Carandiru: Ordem e Progresso, só.

Apreendi no livro de Chris Dunn que os americanos chamam esta categoria de laços homossociais, sem conotação direta com o homoerotismo, e sim com o amor a coisas comuns a todos, como a sagração da natureza, a liberdade e a paixão pelo amor energia, santíssima eletricidade. Sinto que nessas duas pessoas de que gosto muito, Caetano e Dilma, as fichas da importância cultural estratégica, concreta, da Arte e da Cultura, do governo Lula, ainda não caíram.

A própria pessoa de Lula é culta, apesar de não gostar, ainda, de ler. Acho que quando tiver férias da Presidência vai dedicar-se a estudar e apreender mais do que já sabe em muitas línguas. Até hoje ele não pisou no Oficina. Desejo muito ter este maravilhoso ator vendo nossos espetáculos. Lula chega à hierarquia máxima do teatro, a que corresponde ao papa no catolicismo: o palhaço. Tem a extrema sabedoria de saber rir de si mesmo. Lula é um escândalo permanente para a mente moralista do rebanho. Um cultivador da vida, muito sabido, esperto. Não é à toa que Obama o considera o político mais popular do mundo.

Caetano vai de Marina, eu vou de Dilma. Sei que como Lula ela também sente a poesia de Caetano, como todos nós, pois vem tocada pelo valor da criação divina dos brazyleiros. Essa “estasia”, Amor-Humor, na Arte, que resulta em sabedoria de viver do brasileiro: Vida de Artista. Não há melhor coisa que exista!

Lula faz política culta e com arte. Sabe que a cultura de sobrevivência do povo brasileiro não é super, é infra estrutura. Caetano sabe disso, é uma imensa raiz antenada no rizoma da cultura atual brazyleira renascente de novo, dentro de nós todos mestiços brazyleiros. Fico grato a Caetano ter me proporcionado expor assim tudo que eu sinto do que estamos vivendo aqui agora no Brasil, que hoje é um país de poesia de exportação como sonhava Oswald de Andrade, que no Pau Brasil, o livro mais sofisticado, sem igual brazyleiro canta:

“Vício na fala

Pra dizerem milho dizem mio

Pra melhor, dizem mió

Para telha, dizem teia

Para telhado, dizem teiado

E vão fazendo telhado”

Mais um dia

Queda de energia, calor senegalesco, gerador funcionando a meia potência, banho frio, sem televisão. Bateria do notebook indo pro espaço. Stent, angioplastia, mudança de hospital, só amanhã de manhã.
Enquanto isso, em Brasília...

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

A cardiologista hiperativa

Ela voltou. Antes das 8h da manhã. Não foi ao cinema assistir ao filme 3D, mas ficou até 1h da manhã lendo sobre Beethoven, para saber mais dele para a apresentação de violino no café da manhã de Natal do hospital. Todo mundo sabe tudo sobre a nona sinfonia no apartamento 109. Tudo, nos mínimos detalhes. Só tem um mês que está estudando violino, a professora vai acompanhar, é só uma parte da nona sinfonia, mas ela não está satisfeita, quer tocar a segunda parte.
E amanhã tem mais.

...

Depois de tudo isso, a psicóloga quer saber como a paciente está se sentindo como paciente. E a família do-ré-mi debatendo no apartamento...